Além do Óbvio: Estratégias na Escolha de Cores

Sumário

Para uma paleta de cores, escolhemos os tons mais bonitos? Os mais estratégicos? Os que irão fazer o consumidor sentar em um restaurante e comer mais rápido? Ou até mesmo, mais devagar?

Qual a responsabilidade por trás dessa escolha?

Esse mês completam 5 anos que trabalho dando vida a marcas. E, como toda boa história de carreira, passei por alguns outros setores e até mesmo ramos antes de fixar morada no designer gráfico. Do marketing a moda, tive contato com vários negócios e todos me deixaram ensinamentos que aplico até hoje.

Se escolher as cores de uma coleção de moda praia é uma baita responsabilidade (porque se escolhermos uma cor errada as peças não vendem), imagina as cores que irão compor a paleta de uma marca estreante no mercado.

E no projeto da Zen Bites, uma marca de açaí desenvolvida aqui na Above, a responsabilidade foi ainda maior.

Para você entender o cenário, a Zen Bites, além de buscar apresentar-se com sofisticação, quer se posicionar de forma diferente das inúmeras marcas de açaí que encontramos no mercado: cheias de elementos, naquela pegada super comercial e sempre com roxo na paleta.

Ela quer proporcionar um momento de pausa na correria do dia a dia. Um ambiente que, ao entrar, o consumidor já seja imerso nessa sensação zen, como o próprio nome da marca já traz. Uma playlist calma, com poltronas com mesinhas laterais onde o cliente possa sentar e ler seu livro enquanto degusta um maravilhoso açaí orgânico, paredes revestidas com tons que acalmam, não que agitam.

E para fugir do óbvio, a dona da marca, inclusive, expressou o desejo de não ter roxo na paleta de cores da Zen. 

O “não ter o roxo na paleta” foi um dos nossos pontos de partida na elaboração da Zen. O quão ousado seria uma marca de açaí romper a bolha e estrear no mercado sem roxo na paleta? O quão custoso seria para o negócio deixar claro aos consumidores que se trata de uma marca de açaí?

Poderíamos até ter palpites para as perguntas acima. Mas não trabalhamos com palpites. Logo, várias pesquisas foram iniciadas.

E enquanto elas rolavam, um esboço de paleta ia tomando forma. Tons de verde foram escolhidos como grandes protagonistas, revestindo as paredes da marca, físicas e digitais, para trazer a calmaria que a marca tanto deseja passar.

Os tons cobertos de personalidade ficaram por conta dos inspirados na fauna amazônica, local de origem do açaí: um rosa marcante inspirado no ajuru, e um pastel inspirado no cupuaçu.

Rascunho fechado? Partimos para o grande questionamento: usar o roxo ou não? 

E após as pesquisas, decidimos usá-lo. 

Você pode me perguntar “mas Aline, onde fica então a autenticidade da marca?”. No conjunto. Te explico: é super válido ser autentico até o momento que essa autenticidade valha a pena. Porque retiraríamos uma cor que, na falta dela, poderia gerar confusão no consumidor? Romper a bolha tão forte a ponto de não gerar reconhecimento?

Todos esses questionamentos devem ser embasados nos esforços que a marca quer ou pode exercer para gerar reconhecimento.

Vou te dar um exemplo:

Olhando esse produto de longe, o que você acha que ele é?

Nas pesquisas, pitaya apareceu como recordista. E realmente, parece um sorvete/creme de pitaya.

E agora, o que poderia ser esse produto?

Ai, sim, açaí. Uva para alguns, mas em sua maioria, açaí.

Percebe como a falta de reconhecimento poderia atrasar ou dificultar o crescimento da marca? Ainda mais uma marca estreante no mercado que possui uma verba limitada para investir em divulgação.

Com esse cenário em mente, e ainda buscando a diferenciação, estabelecemos uma hierarquia de cores onde o roxo vem lá embaixo, sendo utilizado prioritariamente nos produtos de açaí (potes grandes, pequenos, picolés e afins), e as demais cores, nos outros pontos de contato.

Com essa hierarquia estabelecemos uma diferenciação perante o mercado, e ainda não causamos estranheza no consumidor.

Mas, lembre-se, não é apenas a paleta de cores que gera diferenciação. O conjunto é extremamente mais importante do que alguns itens isolados.

Se o Nubank fosse um banco ruim, aquele roxo famosíssimo ficaria marcado como o roxo do banco ruim. 

Se a Barbie fosse uma boneca que trouxesse sentimentos ruins ao invés de bons e nostálgicos, de nada adiantaria seu rosa tão marcante.

Logo, conselho de uma apaixonada por cores: escolha tons que, realmente, represente as sensações que quer e pode (!!!!) passar para o consumidor. E nunca se esqueça de fugir dos achismos. O olhar analítico te trará muito mais retorno, garanto.

Autor

Aline Ferraz
Aline Ferraz

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